Antes de sair de casa, Klein dedicou tempo a escovar minuciosamente, com uma pequena escova e um lenço, o traje formal e a cartola; trocou-se e vestiu uma camisa branca de linho limpa — irmã de seu único sobretudo barato decente — e saiu rapidamente para a rua.
Primeiro um vestido para Melissa, depois um traje formal para Benson, e só no fim eu poderia pensar em meu segundo terno; o dinheiro nunca dá… Além disso, é preciso ir guardando louça de porcelana esmaltada para receber convidados… e poupar para todo tipo de materiais de misticismo… — Klein, sentado na carruagem pública, contava mentalmente as finanças da casa e, quanto mais calculava, mais balançava a cabeça.
Estimou que levaria pelo menos um ano para que ele, o irmão e a irmã pudessem viver como a chamada «classe média».
Claro, isso sem contar promoção ou aumento.
A carruagem pública atravessou rua após rua e parou em frente ao «Clube de Adivinhação» na Rua Howers.
Klein segurou sua cartola preta não de seda e, entre saltos e passos, desceu; pelo caminho conhecido entrou pela porta do clube no segundo andar e viu a bela senhorita de cabelos castanho-claros, Angelica.
Os olhos dela ainda tinham um resto de vermelhidão e inchaço, mas no geral parecia muito relaxada.
Klein ergueu a mão e bateu duas vezes de leve no espaço entre as sobrancelhas; ao examiná-la com cuidado, percebeu que a forte penumbra no íntimo da cor emocional de Angelica se dispersara bastante e ganhara um branco luminoso, quase solar.
Após observar, Klein se aproximou, tirou o chapéu e sorriu: «Sra. Angelica, que dia ensolarado, não é?»
Angelica ergueu a cabeça, soltou uma breve exclamação de susto, e logo abriu um sorriso: «Você se parece muito com o gato do Sr. Vincent — anda sem fazer barulho. Hum, dá pra notar? Hehe, esqueci: o senhor é um adivinho hábil em ler rostos…»
Pausou, mordiscou de leve o lábio e fez uma reverência: «Obrigada, obrigada pelo conselho de ontem; sinto-me muito melhor. Neste último ano nunca me senti tão tranquila, alegre e satisfeita.»
Ao ouvir o agradecimento sincero, Klein foi contagiado pela alegria e felicidade; a comissura dos lábios subiu: «É uma honra ter podido ajudá-la.»
Enquanto falava, sentiu a própria espiritualidade tornar-se mais leve e viva.
Seria este o «Vidente» que a «poção» quer? Um «Vidente» capaz de realmente ajudar quem pergunta? — Klein apertou o entrecejo como se pensasse, batendo duas vezes em silêncio.
Tinha que admitir: na prática já percebera que o gesto atual para ativar e desativar a «Visão Espiritual» não era discreto o bastante. Mas, em pouco tempo, não conseguia pensar em alternativa melhor — pouco antes se tornara «Vidente», a espiritualidade ainda não chegara ao seu limite atual, e o domínio também. Então o meio para o «interruptor» tinha de ser um ponto capaz de estimular eficazmente a espiritualidade — e tais pontos eram poucos; o entrecejo era uma escolha relativamente superior.
Quando a «poção» estiver totalmente digerida e ele se tornar um verdadeiro «Vidente», poderá projetar um gesto-«interruptor» mais discreto… — Klein assentiu de modo quase imperceptível e caminhou até a porta semiaberta da sala de reuniões.
«Café ou chá?» perguntou Angelica, apressada.
«Café Dixie.» respondeu Klein com vontade de provar de tudo.
Foi quando viu seis ou sete membros na sala, mas Hines Vincent, que costumava estar lá, não estava entre eles.
«O Sr. Vincent não veio?» Klein parou e perguntou por curiosidade.
Angelica ficou um instante perdida: «O Sr. Vincent não vem todos os dias. Aceitou um convite e foi ao porto de Enmat dar aulas numa organização de adivinhação. Precisava de algo dele?»
«Não, só curiosidade — toda vez que vim aqui o vi.» Klein negou com a cabeça, sorrindo.
Ao mesmo tempo notou entre os sete membros um rosto conhecido: Glasis, para quem ele já fizera uma adivinhação!
Glasis usava um monóculo e lia documentos sobre a mesa; percebendo que alguém o observava, ergueu a cabeça na direção do olhar.
Uma alegria evidente aflorou em seu rosto; com as duas mãos firmou-se, levantou e em poucos passos correu até Klein: «Boa tarde, Sr. Moretti. Eu estava justamente pensando se o senhor viria hoje.»
«Angelica me disse que o senhor não é médico, mas um adivinho hábil em ler rostos, é verdade?»
Klein sorriu: «Não só isso, Sr. Glasis. Parece que se livrou completamente da doença?»
Apertou a testa, bateu duas vezes no entrecejo e viu que as cores de saúde de Glasis haviam voltado ao normal.
«Sim — naquela hora me arrependi muito, muito de não ter seguido seu conselho; felizmente, perto da minha casa há um boticário muito habilidoso; ele deu à minha esposa uma medicina bastante milagrosa, e isso me afastou da morte.» disse Glasis comovido.
Como membro probatório do esquadrão Vigias Noturnos, Klein, com sensibilidade profissional, repetiu: «Um boticário muito habilidoso? Uma medicina bastante milagrosa?»
Milagrosa? Quão milagrosa? Estaria no âmbito do sobrenatural?
«Ele disse ser um remédio folclórico do lado de Lensburg; em todo caso, ajudou muito a minha condição.» respondeu Glasis sem perceber nada estranho.
Um herborista popular? — Klein, como em reflexão, bateu no entrecejo: