Pular para o conteúdo

Lord of the Mysteries · Capítulo 14

Capítulo 14: O Médium

14 de janeiro de 2018 · 6 min de leitura · 1.187 palavras

Um verdadeiro médium… Klein murmurou essa descrição, sem dizer mais nada, e seguiu para fora da carruagem.

A residência de Welch em Tingen era uma casa isolada com jardim. Do lado de fora do portão de ferro vazado, havia uma rua que podia acomodar quatro carruagens lado a lado. De cada lado da rua, a cada cinquenta metros, havia um lampião. Diferentes dos que Klein vira em sua vida anterior, eram lampiões a gás, com postes ligeiramente mais altos que um homem adulto, convenientes para acender.

O metal preto se encaixava ao redor do vidro, formando grades, criando clássicas "obras de arte" que lembravam lanternas. O frio e o calor dançavam juntos, sombra e luz coexistiam.

Pisando na estrada coberta pela luz amarelada, Klein e Dunn Smith passaram pelo portão de ferro entreaberto e entraram no local alugado por Welch.

Em frente à entrada principal, havia uma via pavimentada com cimento, larga o suficiente para duas carruagens, que levava diretamente à casa de dois andares.

À esquerda, havia um jardim; à direita, um gramado. Um perfume suave e uma sensação refrescante se entrelaçavam, deixando a mente e o coração revigorados.

Assim que pisou, Klein sentiu seus pelos se arrepiarem e olhou em volta.

Ele sentia que, no jardim, nas sombras do gramado, no topo da casa, atrás do balanço, em todos os cantos escuros, havia pares de olhos observando-o!

Embora o lugar estivesse vazio e sem ninguém, Klein se sentia como se estivesse em uma rua movimentada.

Esse contraste bizarro, essa sensação estranha, fez seu corpo se tensionar, um frio subindo do cóccix.

— Tem algo errado! — ele não pôde deixar de falar para alertar Dunn.

Dunn, com expressão inalterada, caminhava ao lado e respondeu calmamente: — Não se preocupe.

Vendo que o Nighthawk dissera isso, Klein suprimiu aquela sensação arrepiante de ser seguido, espiado, examinado, mas sem conseguir encontrar a origem, e caminhou passo a passo até a porta da frente da casa.

Se eu ficar aqui muito tempo, vou ficar neurótico... Enquanto Dunn estendia a mão para bater na porta, Klein olhou rapidamente para trás. As flores balançavam ao vento, mas não havia ninguém.

— Entrem, cavalheiros. — Uma voz ligeiramente etérea veio de dentro da casa.

Dunn girou a maçaneta, empurrou a porta e disse para a mulher sentada no sofá: — Daly, já tem resultados?

O lustre da sala de estar não estava aceso. Três sofás de couro, um principal e dois auxiliares, cercavam uma mesa de centro de mármore.

Sobre a mesa, uma vela estava acesa, mas sua chama era de um azul vívido, cobrindo a sala de estar semi-aberta, a sala de jantar e a cozinha com uma cor oscilante e sinistra.

No centro do sofá grande estava sentada uma senhora. Ela usava um manto preto com capuz, sombra azul e blush, e em seu pulso exposto havia uma corrente de prata com um pingente de cristal branco.

Ao vê-la, Klein teve uma sensação inexplicável: ela estava vestida como um verdadeiro médium…

Será que ela está interpretando a si mesma?

Daly, a "médium" com sua beleza exótica, varreu Klein com seus olhos verdes cintilantes e olhou para Dunn Smith, dizendo: — Os espíritos originais desapareceram, incluindo os de Welch e . As criaturinhas que estão aqui agora não sabem de nada.

Espíritos? Médium... Então aqueles observadores invisíveis eram espíritos? Havia tantos espíritos? Klein tirou o chapéu, colocou-o sobre o peito e fez uma ligeira reverência: — Boa noite, senhora.

Dunn Smith suspirou e disse: — Que complicado…

— Daly, este é . Tente descobrir algo a partir dele.

O olhar da "médium" Daly se voltou para Klein. Ela apontou para o sofá individual ao lado e disse: — Sente-se, por favor.

— Obrigado. — Klein acenou com a cabeça, deu alguns passos e sentou-se obedientemente, com o coração se apertando involuntariamente.

Vida ou morte, passar ileso ou ter seu segredo exposto, tudo dependia do que aconteceria a seguir!

E o mais frustrante era que ele mesmo não tinha nada em que se apoiar, só podendo depositar esperanças no especial…

Essa era realmente uma sensação muito ruim… Klein pensou amargamente.

Enquanto Dunn se sentava no sofá duplo à sua frente, a "médium" Daly tirou dois frascos de vidro do tamanho de um polegar de um bolso secreto em sua cintura.

Ela olhou para Klein com seus olhos verdes e sorriu, dizendo: — Preciso de uma pequena ajuda. Afinal, você não é um inimigo, não posso tratá-lo de forma tão direta e brusca, isso o deixaria desconfortável, causaria dor e até deixaria sequelas graves. Vou lhe dar alguns aromas, gentileza e lubrificação suficientes, para que você se solte aos poucos e realmente mergulhe nessa sensação.

Essas palavras soam estranhas… Klein estalou a língua em surpresa, seus olhos mostravam espanto.

Dunn, do outro lado, sorriu e disse: — Não se surpreenda. Diferente daqueles da Igreja do Senhor das Tempestades, aqui entre nós, as mulheres também podem provocar os homens verbalmente. Sobre isso, você deve entender. Sua mãe é uma devota da Deusa, e você e seu irmão frequentaram a escola dominical da igreja.

— Eu entendo, só não esperava que fosse tão, tão… — Klein gesticulou, sem encontrar o adjetivo adequado, quase deixando escapar a tradução de "motorista experiente".

Dunn, com o canto da boca curvado, disse: — Fique tranquilo. Na verdade, Daly raramente faz isso. Ela só quer que você se acalme e relaxe dessa forma. Ela gosta mais de cadáveres do que de homens.

— Você está me fazendo parecer uma pervertida. — A "médium" Daly interrompeu com um sorriso.

Ela abriu um dos frascos e derramou algumas gotas na chama azul vívida da vela: — É um hidrolato destilado e extraído da mistura de erva noturna, sono profundo e camomila. Eu o chamo de "Amanda", que em Hermético significa serenidade. É muito cheiroso.

Enquanto falava, a chama da vela tremeluziu algumas vezes, as gotas do hidrolato evaporaram rapidamente e se espalharam pelo quarto.

Um aroma delicado e encantador entrou no nariz de Klein. Sua emoção deixou de estar tensa, sua mente se acalmou rapidamente, como se ele estivesse contemplando a escuridão no silêncio da noite.

— Este frasco se chama "Olho dos Espíritos". É feito com casca e folhas de árvore-dragão e álamo, secas ao sol por sete dias, fervidas três vezes e maceradas em vinho Runze. Claro, no meio do processo, alguns encantamentos são recitados... — O líquido âmbar acompanhou a descrição da "médium" Daly e caiu na chama azul vívida.

Klein sentiu o aroma do vinho, um aroma etéreo e fugaz. Ele viu a chama da vela balançar violentamente, viu a sombra azul e o blush de Daly brilharem com um brilho estranho, até mesmo vendo imagens duplas.

— É uma boa ajuda para a mediunidade, e também uma essência bastante encantadora...

Com a narrativa calma de Daly, Klein sentiu a voz dela vindo de todas as direções.

Confuso, ele olhou ao redor e descobriu que todas as coisas estavam balançando, ficando borradas, como se estivessem cobertas por camadas e camadas de névoa, e seu próprio corpo também balançava, ficava borrado, flutuava e perdia peso.

Fim do capítulo 14